Jornal da USP no Ar conversou com a médica Rosa Hasan, coordenadora do Laboratório e Ambulatório do Sono do Instituto de Psiquiatria (IPq) do HC da FM, para falar sobre a prevalência desse tipo transtorno no País e como a pandemia influencia.

Confinamento, mudanças na rotina, temor incessante, uma situação de tirar o sono. Literalmente. No Brasil, assim como no restante do mundo, grande parte da população sofre com distúrbios do sono. O Jornal da USP no Ar conversou com a médica Rosa Hasan, coordenadora do Laboratório e Ambulatório do Sono do Instituto de Psiquiatria (IPq) do HC da FM, para falar sobre a prevalência desse tipo transtorno no País e como a pandemia influencia.

“Não temos números exatos [sobre como a pandemia afeta o sono da população]. Apesar de haver inquéritos e pesquisas sobre isso, não tem nada publicado. Mas, dentro da Associação de Sono, foi feito um inquérito entre profissionais de saúde que vêm lidando com a pandemia, e o sono deles piorou, com certeza. Já entre a população geral é mais difícil inferir. Não tem dados”, aponta a especialista.

Apesar de não haver evidências concretas sobre a influência, baseada em enquetes e no atendimento que realiza diariamente com pacientes que possuem problemas de sono, a professora acredita que as preocupações da pandemia, tanto ligadas à saúde quanto à economia, impactam na saúde mental das pessoas, geram ansiedade e podem afetar o sono. A mudança de rotina é outro fator que pode influenciar o sono, positivamente ou negativamente.

O distúrbio de sono que possui maior prevalência entre a população geral é a insônia. É preciso separar, entretanto, situações pontuais de insônia, que podem ocorrer em momento de ansiedade, por exemplo, de casos de insônia crônica. Esse transtorno se caracteriza quando há dificuldade para dormir em três ou mais dias da semana durante, no mínimo, três meses.

Caso o quadro se concretize, deve haver intervenção médica. Como aponta a doutora Rosa, insônia crônica não tratada pode acarretar depressão, complicações cardiovasculares e mentais. Além disso, há risco de piora na qualidade de vida, com menores índices de concentração e atenção, o que pode piorar desempenhos profissionais e acadêmicos, e nas relações pessoais, com maiores níveis de irritabilidade. Sobre o tratamento, a especialista comenta: “Pode ter uso de medicamento, mas o mais recomendado é o tratamento comportamental, há inclusive terapias que reensinam o indivíduo a dormir”.

Outro distúrbio bastante comum é a apneia, que, em pesquisas realizadas na cidade de São Paulo, tem prevalência em torno de 33%, ou seja, uma a cada três pessoas sofrem com o distúrbio. Os quadros mais sérios de apneia, que demandam atenção médica, atingem cerca de 20% da população. Contudo, diferentemente da insônia, os casos de apneia não sofrem influência da pandemia.

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