Relação entre espiritualidade/religiosidade e violência: investigação em uma amostra populacional brasileira

Autor: Juliane Piasseschi de Bernardin Gonçalves

Orientador: Homero Pinto Vallada Filho

Objetivos: Avaliar o impacto das intervenções espirituais/religiosas sobre a saúde de indivíduos, descrever os protocolos utilizados e analisar a qualidade metodológica dos artigos.

Métodos: Revisão sistemática e meta-análise realizada nos seguintes bancos de dados: PubMed, Scopus, Web of Science, PsycINFO, The Cochrane Collaboration, Embase e Scielo. Através de expressão booleana foram incluídos artigos que: (i) investigaram os desfechos na saúde; (ii) realizaram ensaios clínicos randomizados, e (iii) foram redigidos em inglês, espanhol ou português. Foram excluídos protocolos sobre prece intercessória ou cura à distância. O estudo foi realizado em duas fases: (1) a leitura de título e resumo, (2) leitura completa dos artigos e avaliação de sua qualidade metodológica. Resultados: Através da revisão sistemática, 4751 estudos foram obtidos, dos quais 4367 foram excluídos por não se encaixarem nos critérios de inclusão ou por serem repetidos (fase 1). Dos restantes 162 artigos, 123 foram excluídos por não serem intervenções espirituais/religiosas ou por apresentarem randomização inadequada, permanecendo assim 39 artigos (fase 2). Em geral, os estudos têm mostrado que as intervenções espirituais/religiosas diminuíram os sintomas de depressão, ansiedade, consumo de álcool, excesso de peso e estresse, e melhoraram qualidade de vida em diferentes doenças. A meta-análise mostrou efeitos significativos sobre a ansiedade (p < 0.0001), mas não sobre a depressão (p=0.41) ou qualidade de vida (p=0.56). Conclusão: Os estudos sobre intervenções espirituais/religiosas mostraram benefícios em sintomas clínicos (principalmente ansiedade e estresse), maior adesão a tratamento médico e satisfação com o procedimento. A diversidade de população e protocolos apontam para a necessidade de mais estudos envolvendo E/R como tratamento complementar na saúde

Fonte: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-26012015-111105/pt-br.php