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Ambulatório de Transtornos Somatoformes (SOMA)



 Histórico e Descrição da Área de Atuação

 O ambulatório de Transtornos Somatoformes (SOMA) iniciou suas atividades no primeiro semestre de 2009 para atender a uma demanda do próprio hospital no seguimento de pacientes com queixas físicas já investigadas, mas que não apresentavam causas orgânicas que justificassem totalmente o quadro clínico. Os pacientes deste ambulatório passam por consultas psiquiátricas e quando indicado frequentam psicoterapia com orientação psicanalítica, bem como um grupo de fisioterapia e terapias. Aos cuidadores também são oferecidos atendimentos psicoterápicos em grupo. É importante ressaltar, que contamos com um neurologista para os casos em que, exista eventualmente, alguma dúvida quanto à natureza dos sintomas neurológicos, ou seja, se eles são de origem orgânica ou psicogênica.

 Orientações para Triagens

 O ambulatório de Transtornos Somatoformes (SOMA) ocorre todas às quartas-feiras das 14hs às 18 horas no Instituto de Psiquiatria (IPq - FMUSP). Os atendimentos são oferecidos a todos os pacientes do complexo do Hospital das Clínicas. Para a triagem é necessário o encaminhamento na folha amarela solicitado por qualquer médico do HC e um agendamento prévio no registro do IPq. Na primeira consulta será feito uma entrevista com o paciente para apurar o histórico e verificar se o diagnóstico corresponde ao Transtornos Somatoformes. Em caso afirmativo, será feito a matricula no ambulatório e marcado o retorno para o acompanhamento e tratamento. Do contrário, o paciente será encaminhado ao serviço que os profissionais julgarem mais adequado ou voltará ao seu local de origem de onde decorreu o encaminhamento.

 Equipe Técnica

 Bruna Bartorelli - Coordenadora do ambulatório de Transtornos Somatoformes e médica assistente do IPq-HCFMUSP.

 Abigail Betbedé - Psiquiatra colaboradora do IPq-HC FMUSP. Membro Filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

 Roberto B. Favaretto – Psiquiatra Colaborador do IPq-HC FMUSP. Gerente Médico do Serviço de Psiquiatria do Hospital do Mandaqui.

 Prof. Dr. Eduardo Genaro Mutarelli – Médico Neurologista, MD, PhD, FAAN. Professor Doutor do Departamento de Neurologia da FMUSP. Coordenador do Núcleo de Neurociências do H. Sírio Libanês.

 Júlia Catani – Psicóloga e Psicanalista pelo Instituto Sedes Sapientiae. Mestrado pela Psicologia Clínica da Universidade de São Paulo (USP) com bolsa do Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Membra do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP) da USP. Especialização em Psicologia Hospitalar e também em Saúde Mental na Instituição Psiquiátrica do IPq do HCFMUSP.

 Caroline Gomes Mortagua – Psicanalista e Psicóloga formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Especialista em Psicopatologia e Linguagem pela PUC-SP.

Ymara L. C. Vitolo – Psicóloga. Membro filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Pós-graduação na psiquiatria social da Escola Paulista de Medicina.

 Marina Kon Bilenky – Psicóloga pela Universidade de São Paulo (USP). Membro filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP).

 João Paulo F. Barretta - Psicanalista; mestre em filosofia; doutor em Psicologia clínica; coordenador do curso de pós-graduação em psicanálise "De Freud a Lacan e Winnicott".

 Tatiana Navajas Preussler - Psicóloga e Especialista em Psicologia Hospitalar pelo Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

Alice Barbosa dos Santos - psicóloga formada pela Universidade Paulista. Especialização em clínica psicanalítica e clínica de perdas morte e luto.

 Ana Claudia G Borghi – psicóloga e arteterapeuta.

 Ana Martha Falzoni- Psicóloga e Psicanalista

 Vera helena Torres - fisioterapeuta pela USP, especializada  no método neuro-evolutivo  (Método Bobath). Psicóloga e especialista em terapia corporal neo-reichiana

 

 Residentes em Psiquiatria (R1)

 

Atividades Assistenciais e Atividades de Ensino

• Atendimento psiquiátrico ambulatorial      

• Avaliação neurológica para diagnóstico diferencial         

• Atendimento psicológico individual e em grupo para pacientes e acompanhantes

•  Atendimento em grupo de fisioterapia     

• Discussão de casos clínicos         

• Supervisão clínica e psicanalítica 

• Aulas e seminários (quinzenais)

 

 Atividades de Pesquisa

 • Apresentações de Casos Clínicos

• Seminários e Aulas

• Grupo de Estudo    

• Participação em Congresso          

• Publicação de Artigos em Periódicos Especializados na Área

 

Banco de Dúvidas

 1) O que são os Transtornos Somatoformes?       

Os transtornos somatoformes caracterizam-se por queixas físicas que não podem ser totalmente explicadas por uma condição médica geral ou outro transtorno psiquiátrico. Compreendem um grupo bastante heterogêneo do ponto de vista psicopatológico e etiológico, uma vez que, o critério básico para seu agrupamento no DSM-IV é a presença de queixas físicas como principal sintoma, resultando em busca incessante por atendimento médico. A primeira preocupação diagnóstica deve ser a exclusão de doenças orgânicas, ou seja, qualquer condição médica não considerada neurológica ou psiquiátrica. Nesses transtornos, os sintomas devem causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes. No DSM-V, publicado em 2013, as categoria de Transtornos Somatoformes é substituída por Sintomas Somáticos e Transtornos Relacionados de modo a incluir preocupações etiológicas, de saúde pública, de gênero, cultural e clínica, bem como localizar no diagnóstico sinais e sintomas positivos, levando em conta o individuo e a interação o meio.

 2) Quais são eles?   

De acordo com os manuais de psiquiatria (DSM-IV), os transtornos incluídos neste grupo são: Transtorno de Somatização, Transtorno Somatoforme indiferenciado, Transtorno Conversivo, Transtorno Doloroso, Transtorno Dismórfico Corporal e Transtorno de Somatização sem outra especificação. Com as alterações do DSM-V passam a pertencer as seguintes categorias: transtorno de sintoma somático, transtorno ansioso da doença, transtorno conversivo (transtorno do sintoma neurológico funcional), fatores psicológicos que afetam outras condições médicas, transtorno factício, outro sintoma somático e transtorno relacionado especificado, sintoma somático e transtorno relacionado não especificado.

 3) Como eles se apresentam?        

Caracteristicamente, os sintomas iniciam na adolescência, é comum que todos os critérios diagnósticos sejam preenchidos já no início da vida adulta ou, no máximo até os 30 anos de idade. Quadros que parecem iniciar após esta faixa etária devem ser minuciosamente investigados, pois estão associados a patologias orgânicas de fato ou a alguma falha na anamnese. A cronificação é a regra, com períodos de exacerbação dos sintomas, comumente ligados a algum fator estressor. A remissão completa dos sintomas é muito rara e não tende a acontecer com o aumento da idade.

 4) Quais as causas?

A etiologia dos Transtornos Somatoformes não é totalmente definida e existem inúmeras teorias que procuram explicar seu aparecimento. A maioria dos pacientes que nos procuram apresenta dificuldade marcante em exprimir seus sentimentos, tendendo a “transformar” conflitos psíquicos em sintomas físicos. Este mecanismo é involuntário e as causas que levam o indivíduo a apresentar dificuldade em verbalizar os seus sentimentos comumente estão ligadas à história de vida precoce do sujeito.

 5) Diagnóstico Diferencial   

A primeira preocupação diagnóstica deve ser a exclusão de doenças orgânicas, ou seja, qualquer condição médica não considerada neurológica ou psiquiátrica.

Assim como no transtorno Factício, são pacientes que vivem em função do corpo e frequentam diversos médicos para investigarem seus sintomas. Porém, nos Transtornos Somatoformes os sintomas são inconscientes e no Transtorno Factício são conscientemente produzidos.

 6) Tipos de Tratamentos      

Quanto mais precoce o diagnóstico de Transtorno Somatoforme, melhor o prognóstico. É importante minimizar custos e proteger os pacientes de condutas desnecessárias, pois estes tendem a demandarem muita atenção do médico e acabam sendo submetidos a procedimentos invasivos, exames e internações desnecessárias. O ideal é que o paciente seja acompanhado por um único médico com experiência em tratar este tipo de patologia, que coordene o seguimento e encaminhe para outros especialistas somente se julgar necessário. As consultas devem ser agendadas em intervalos regulares curtos, a cada uma ou duas semanas, evitando que o paciente “tenha” de desenvolver novos sintomas para ser atendido. Um bom vínculo médico-paciente é essencial. O que se tenta fazer é ajudar o doente a perceber, aos poucos, a relação existente entre os sintomas físicos e questões dinâmicas, para então, iniciar um processo psicoterápico.

Não existem estudos sistemáticos sobre o tratamento medicamentoso dos Transtornos Somatoformes e até o momento, não há nenhuma medicação que seja efetiva para este fim. Os Transtornos psiquiátricos comórbidos são comuns e devem sempre ser tratados, pois agravam o quadro. São muito prevalentes queixas ansiosas e depressivas, sendo difícil diferenciar se estas queixas são secundárias ao Transtorno de Somatização, se caracterizam um quadro isolado à parte ou se os sintomas somáticos decorrem de um quadro depressivo/ansioso primário.  Muitas vezes, o encaminhamento para um serviço de Psiquiatria não é possível porque o paciente não aceita seu problema como sendo um transtorno mental. Nestas circunstâncias, a melhor opção é que um clínico com conhecimento em Transtornos Somatoformes siga os pacientes.

 

Produção, Apresentação em Congressos e Palestras

- AMBRA, P. E. S., CASTRO, J. C. L., CATANI, J., CONCEIÇÃO, L. H. P., MOREIRA, L. E. V., PORCHAT, P., ROCHA, T.H. R. & SILVA JR, N. A Histeria como Desafio ao Saber Clínico e aos Parâmetros de Gênero. In: Dunker, C. I. L; Safatle, V. & Silva Jr. (2014) Patologias do Social. São Paulo, CossaNayf (no prelo, 2014).

 - BARTORELLI, B. Transtornos Somatoformes. In: Curso de Capacitação: “Cuidado em Saúde Mental na atenção primária” para os profissionais da Secretaria Estadual de Saúde do Estado de São Paulo e realizado pelo PROGREA – Programa do grupo interdisciplinar de estudos de álcool e drogas no Instituto e Departamento de Psiquiatria do HCFMUSP realizado em 23 de novembro e 14 de dezembro de 2013.

 - BARTORELLI, B. Transtornos Factícios e suas variantes: o que todos os médicos precisam saber. In: XXI Congresso Médico Acadêmico de Botucatu – UNESP, realizado entre 17 a 22 de setembro de 2012.

 - BARTORELLI, B. & MUTARELLI, E.G. Interconsulta no paciente com transtorno factício. In: Compêndio de Clínica Psiquiátrica. São Paulo: Manole, 2011, v.02, p. 1497-1508.

 - BARTORELLI, B., ABT, M., MUTARELLI, E.G. Clues to the differential diagnosis between factitious and somatoform disorders. In: 15th World Congresso of Psychiatry, realizado em Buenos Aires de 18 a 22 de setembro de 2011.

 - BARTORELLI, B. Interconsulta no paciente com somatização e transtorno factício. Sessão interface da Psiquiatria com outras especialidades In: Congresso Clínica Psiquiátrica – A visão do departamento do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP. Realizado em 28 A 30 de abril de 2011.

- BARTORELLI, B., CATANI, J., WEREBE, D. M., FRAGUAS JUNIOR R., Transtornos Somatoformes e Personalidade In: Transtornos de Personalidade. Porto Alegre: Artmed, 2011, v.01, p. 205-228.

 - BOGAR, M.; CHAIM, T.M.; CEZAR, L.T.S.; HUMES, E.C.; MUTARELLI, E.G.; BARTORELLI, B.; TENG, C.T.; Polirradiculoneurite Axonal Motora Crônica Associada a Transtorno Somatoforme. In: XXXIII Congresso de Psiquiatria Brasileiro - A psiquiatria na vanguarda do progresso médico realizado em 04 a 07 de novembro de 2009 em São Paulo.

 - CATANI, J. Ler, Escrever e Inscrever a Histeria: Os Novos Nomes, Os Novos Sintomas e a Velha Neurose. In: Histeria e Gênero – o sexo como desencontro. Orgs. Ambra, P. E. S. & Silva N. Jr. São Paulo: nVersus, (no prelo, 2014).

 - CATANI, J.  Mestrado em Psicologia Clínica. Uma leitura dos Transtornos Somatoformes e da Histeria segundo o DSM, a CID e a visão freudiana: a identificação do sofrimento psíquico no campo científico. Universidade de São Paulo, USP. Orientador: Maria Abigail de Souza. Bolsista do(a): Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

 - CATANI, J. A função do enquadre analítico no contexto hospitalar: possibilidades e limites de atuação. Revista Psicologia e Saúde. v.5, p.32 - 39, 2013.

 - CATANI, J. A Histeria e os Transtornos Somatoformes: Custos Psíquicos, Sociais e Financeiros. In: III Colóquio do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise: Colóquio Patologias do Social, USP, 2013.

 - MOLIN, E. C. D., CATANI, J, FLORES, D. B., BORGHESI, I. S. Fairbairn e Personalidades Múltiplas. São Paulo:Revista Brasileira de Psicanálise, 2013. (Artigo, Tradução)

 - CATANI, J. A expansão dos diagnósticos: acúmulo de conhecimento ou aprisionamento pela ciência? In: Diagnostico o Estigma? Encrucijadas Eticas.338 ed.Buenos Aires: Conexiones, 2012, v.01, p. 336-336.

 - CATANI, J. Sintomas e Oralidade nos Transtornos Somatoformes. In: V Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XI Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental: Dietética, Corpo e Pathos, 2012, Fortaleza, CE, v.01. p.01 – 09.

- CATANI, J., SOUZA, M. A. O Percurso Histórico dos Transtornos Somatoformes: Uma Leitura Psicanalítica E Psicossomática In: VI Congresso interno do Instituto de Psicologia, 2012, São Paulo.

 - CATANI, J. Maladie et hostilité dans les lieux de traitement : les professionnels qui s’occupent de la santé mentale face aux patients avec des pathologies non-classées. In : Colloque international - L’hostile: ses lieux, ses manifestations et sa réalité, Rennes, 2012

 - CATANI, J. A máscara como marca corporal: as noções de limite e o encontro com o outro In: II Colóquio Internacional Práticas e Usos do Corpo na Modernidade, Instituto de Psicologia da USP, 2011.

 - CATANI, J. La Femme au Masque: Representations et Identifications à la Rencontre D'Autrui. In : Colloque International Interdisciplinaire - La souffrance de l’être : ses formes modernes, ses traitements,  Rennes, 2011.

 - CATANI, J. Diagnostic: la dynamique hysterique de la psychose structurale - le rapport d’un exemple. In : Cycle de Conférences par l’Association des Chercheurs et Étudiants Brésiliens en France et le Groupe de Recherche Interdisciplinaire sur le Brésil, Paris, 2010.

 - CATANI, J., FALCAO, M. I., LACET, C. Diagnostic: la dynamique hysterique de la psychose structurale - le rapport d’un exemple. Passages de Paris (APEB-Fr). , v.2010, p.99 - 106, 2010.

 - CATANI, J. Des-mascarando o diagnostico: dinâmica histérica na psicose estrutural - um relato de caso In: Trauma, Historia Y Subjetividad.01 ed.Buenos Aires : Conexiones, 2010, v.01, p. 280-282.

 - FRAGUAS, R.; FREITAS, C.; WEREBE, D.; BARTORELLI, B. Efeitos da transferência em um caso de somatização. In: 15th World Congresso of Psychiatry, 2011, Buenos Aires. Efeitos da transferência em um caso de somatização, 2011.

 - MUTARELLI, E. G. Déficit neurológico não-orgânico. In: Propedêutica Neurológica. São Paulo: Sarvier Editora de Livros Médicos Ltda, 2014 (no prelo).

 - MUTARELLI, E. G. Diagnóstico do déficit neurológico não orgânico – mesa redonda – Atualização em neurologia II. In: VIII Congresso Paulista de Neurologia, São Paulo SP, de 23 a 25 de junho. 2011. (Congresso).

 - MUTARELLI, E. G. Interface com a Neurologia. In: Evento - Clínica Psiquiátrica" organizado pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (28 A 30 de abril de 2011).

 - MUTARELLI, E. G. Aspectos neurológicos do diagnóstico diferencial da histeria. XIX Simpósio Histeria Instituto Bairral de Psiquiatria, Itapira SP, em 04 de dezembro. 2010. (Simpósio).