Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content

Método TAP (Tailored Activity Program – Programa Personalizado de Atividades): uma abordagem promissora de Terapia Ocupacional para o tratamento de alterações do comportamento em idosos com demência

A pesquisa realizada pela terapeuta ocupacional Alexandra Martini de Oliveira  no Laboratório de Neurociências – LIM 27, do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP sob orientação do Prof. Orestes Forlenza avaliou a eficácia de um método de Terapia Ocupacional (TO) para diminuir alterações comportamentais, comuns nas fases mais moderadas de quadros demenciais, tais como, agitação, agressividade, alterações do sono, etc.

Os quadros demenciais são caracterizados, principalmente, por déficits cognitivos (perda de memória, atenção, funções executivas, etc.) e por perdas funcionais (incapacidade de realizar atividades cotidianas). Entretanto, muitos pacientes também apresentam alterações do comportamento ou sintomas neuropsiquiátricos (SNPs), principalmente, nas fases mais avançadas do quadro. Esses sintomas comportamentais  podem acometer até  90% dos casos de demência, segundo a literatura atual.

Dentre os SNPs mais comuns, estão incluídos: agressividade, apatia, agitação, perambulação – quando o idoso caminha sem um objetivo específico, desinibição, ansiedade, humor deprimido e sintomas psicóticos (alucinações e delírios). A presença desses sintomas além de ser extremamente perturbador e incapacitante para o indivíduo com demência, ocasiona intensa sobrecarga nos cuidadores que convivem com os mesmos.

Atualmente, diversas diretrizes internacionais têm sugerido que tratamentos não-farmacológicos sejam utilizados prioritariamente ou como um coadjuvante de tratamentos farmacológicos, com o objetivo de potencializar e ajudar a melhorar aspectos comportamentais, favorecendo também, a diminuição de sobrecarga dos cuidadores.

Muitos estudos internacionais sobre intervenções não-farmacológicas como o método TAP têm sido realizados e tem se mostrado eficazes e seguras. O método TAP é uma abordagem de Terapia Ocupacional baseada em evidências, que foi desenvolvido inicialmente nos Estados Unidos para o tratamento de SNPs de indivíduos com demência moderada a grave (Gitlin et al., 2008, 2017, 2019). Trata-se de um método que pode ser aplicado em até 8 sessões e inclui avaliação detalhada do nível cognitivo do paciente e de suas capacidades e habilidades remanescentes, um levantamento do seu histórico ocupacional para a prescrição de atividades que são adaptadas de acordo com as condições e preferências do  paciente e também, um treinamento para o manejo dos SNP voltado para os cuidadores.

Para que o método pudesse ser habilitado para uso no contexto brasileiro, a terapeuta ocupacional Alexandra recebeu um treinamento no John Hopkins Hospital, em Baltimore –EUA,  coordenado pela Profa. Laura Gitlin, responsável pela criação do método.

Após o treinamento, por meio do seu projeto de doutorado, a terapeuta ocupacional realizou a tradução e adaptação do método TAP para uso ambulatorial e, estudou a eficácia da versão brasileira ambulatorial por meio de um ensaio clínico.

Em seu estudo foram incluídos 54 pacientes com demência, que foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos, um grupo experimental – que recebeu o método TAP (n= 28) e, um grupo controle – que recebeu orientações psicoeducativas sobre demência (n= 26). Após o período de intervenção, observou-se melhora estatisticamente significante entre os pacientes do grupo experimental (método TAP) com relação a delírios, agitação, agressividade, depressão, ansiedade, euforia, apatia, desinibição, irritabilidade, distúrbio motor, e vocalizações aberrantes.  Além disso, o estudo mostrou que o método TAP foi eficaz na redução da sobrecarga dos cuidadores.

Em resumo, os resultados de seu estudo mostraram que o uso de atividades prescritas de maneira personalizada por terapeutas ocupacionais, aliado ao treinamento do cuidador, pode ser clinicamente eficaz tanto na redução dos sintomas comportamentais como na sobrecarga de cuidadores de indivíduos com demência.

O artigo referente a esse ensaio clínico foi aceito para publicação no Journal of Alzheimer´s Disease em junho de 2021.

Alexandra Martini de Oliveira Terapeuta Ocupacional do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP – pesquisadora e colaboradora do LIM 27.

link da pesquisa: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5142/tde-05122018-132604/publico/AlexandraMartinideOliveira.pdf