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O psiquiatra Rodrigo Martins Leite, do IPq, orienta como gerenciar o estresse para evitar danos à saúde. Confira a matéria do O Globo.

Por Giulia Vidale — São Paulo

 

Preparação de urnas eletrônicas

Preparação de urnas eletrônicas O Globo

A política e, em especial, o período eleitoral, pode ser algo extremamente estressante. Não bastasse a tarefa de decidir quem irá governar o país pelos próximos quatro anos, a polarização política tem gerado ansiedade e tensão na população, além de discussões até mesmo entre amigos e familiares. Soma-se a isso o medo de ser agredido em meio ao crescimento de episódios de violência político-eleitoral e um cenário de puro estresse está instalado.

O cenário não é exclusivo do Brasil e ganhou até mesmo nome: “transtorno de estresse eleitoral”. Embora não seja um diagnóstico propriamente dito, o conceito criado nos Estados Unidos é usado para explicar a experiência de ansiedade avassaladora desencadeada pelas eleições. Os sintomas disso podem aparecer de diversas formas, incluindo atualização obsessiva das mídias sociais, ter uma reação profundamente emocional às pesquisas, medo, hipervigilância, tensão muscular, irritação, problemas gastrointestinais, dor de cabeça e insônia.

Em casos mais extremos, pode até mesmo haver a instalação de um quadro de depressão e ansiedade.

O psiquiatra Pedro Katz, chefe de Equipe de Psiquiatria e Interconsultas na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que quimicamente, o estresse é conjunto de modificações físicas, hormonais e neuroquímicas. Frente a uma situação de medo, o corpo libera hormônios, incluindo adrenalina, noradrenalina e cortisol. Eles têm a função de ajudar na resposta rápida, necessária em um momento de perigo. Por outro lado, eles causam alterações como aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, o que pode levar a maior probabilidade de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral (AVC).

 

Desligue-se

Somos constantemente bombardeados por notícias na TV, internet e redes sociais. Uma maneira de gerenciar o estresse é limitar o tempo gasto consumindo esse conteúdo. Tirar os alertas do seu celular, passar menos tempo rolando o feed das redes sociais ou vendo telejornais e notícias também ajudam a diminuir a ansiedade.

— O ideal é fazer um jejum de mídias sociais e tecnologia porque estes locais estão inundados com essa temática nesse momento — orienta o psiquiatra Rodrigo Martins Leite, coordenador do Programa de Psiquiatria Social e Cultural (Prosol) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (IPq).

Ao procurar se informar, a psiquiatra Carolina Hanna, do Hospital Sírio-Libanês, recomenda escolher fontes confiáveis.

— A informação confiável é uma forma do eleitor se amparar para seguir sua opção — afirma Hanna.

Relaxe

— A sugestão é que você aproveite esse período entre o fim da propaganda eleitoral e o dia da votação para adotar o conceito do sabático, que é fazer tudo diferente do que você faz durante a semana, em especial relaxar e conversar sobre outras coisas — recomenda Katz.

Práticas de relaxamento como meditação, mindfulness, ioga, exercícios de respiração, ouvir música, fazer massagem, cuidar de plantas, ler um livro ou assistir uma série são boas opções para se desligar do cenário eleitoral e da ansiedade gerada por ele.

Conecte-se com amigos e familiares

Especialistas são unânimes em dizer o quanto é importante estar próximo de pessoas do seu círculo íntimo, como amigos e familiares e se engajar em conversas e atividades prazerosas.

Abraçar pessoas queridas também é benéfico. Estudos mostram que o ato promove a liberação de oxitocina, um hormônio que ajuda a regular o estresse.

Sabemos que pode haver divergência política mesmo entre pessoas próximas. Se o assunto vier à tona, evite discussões e embates. Não é preciso fugir, mas é recomendado manter uma postura ponderada, compreensiva e comunicativa.

— O verbo agora é se poupar e se afastar de conflitos desnecessários — avalia Leite.

Intensifique as estratégias tradicionais para lidar com o estresse

Se exercitar regularmente, dormir bem e comer adequadamente são recomendações fundamentais para manter o bem-estar e a saúde mental em dia. Isso ajuda a diminuir os hormônios do estresse e aumenta os neuroquímicos positivos, incluindo serotonina, dopamina e oxitocina.

Exercícios aeróbicos ao ar livre, como corrida ou caminhada ajudam melhoram a regulação emocional melhorada e contribuem para o crescimento de novos neurônios. Não precisa ser muito. Cerca de 30 minutos já são suficientes.

Para pessoas com ansiedade, postergar uma tarefa pode ser contraproducente. Por isso, a recomendação é realizar essa tarefa o mais cedo possível.

Além disso, garantir o seu voto ajudar a amenizar a sensação de estar fora de controle, que é uma das principais causas do estresse eleitoral.

— O voto é um direito do cidadão e as pessoas estão se sentindo acuadas. É importante que ela lembre que está ali não só cumprindo seu dever, mas também exercendo seu direito de escolha como cidadão — pontua Hanna.

https://oglobo.globo.com/saude/bem-estar/noticia/2022/09/eleicoes-como-aliviar-o-estresse-as-vesperas-do-primeiro-turno.ghtml