Marcos Croci, do IPq, falou sobre uma nova abordagem terapêutica voltada ao tratamento de adolescentes com transtorno de personalidade borderline associado a transtornos alimentares, em entrevista ao Jornal da USP.
Nova terapia propõe tratar adolescentes borderline com transtornos alimentares
Abordagem amplia o acesso a tratamento psiquiátrico na rede pública, uma vez que médicos não especializados, após treinamento, podem aplicar as intervenções
Publicado: 10/06/2025 às 8:45 Atualizado: 24/06/2025 às 9:47
Pesquisadores da USP, em parceria com o McLean Hospital, nos Estados Unidos, desenvolveram uma nova abordagem terapêutica voltada ao tratamento de adolescentes com transtorno de personalidade borderline associado a transtornos alimentares. A iniciativa busca preencher uma lacuna na rede pública de saúde, que atualmente oferece poucas opções de tratamento para essa combinação de condições psiquiátricas – caracterizadas por alta complexidade, sobreposição de sintomas e fatores de risco comuns. As intervenções existentes são escassas, altamente especializadas, de longa duração e pouco acessíveis à população. Adolescência é uma fase considerada crucial para obter melhores prognósticos, evitar a piora dos sintomas e reduzir o risco de cronificação dos transtornos.
Desde sua criação em 2017, o Adre já atendeu mais de 100 pacientes de 13 a 18 anos com desregulação emocional grave, encaminhados pelos Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e outros serviços internos do IPq. “O tratamento dura, em média, seis meses, e apesar de não haver cura definitiva para os transtornos, a maioria dos pacientes recebe alta após esse período, com remissão significativa dos sintomas, como uma maior regulação emocional e redução de comportamentos de risco – autolesão e ideação suicida”, relata Croci.
Como forma de divulgação das propostas do novo manejo e treinamento dos profissionais, anualmente o Adre também promove workshops voltados para médicos, psicólogos, enfermeiros e outros profissionais de saúde mental, quando são disponibilizadas inscrições gratuitas para profissionais que trabalham no CAPS.