Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Filter by Categories
Apresentações em Congressos
Artigos
Capítulos de Livros
Cursos e Eventos
Lançamentos Livros
Mídia
Notícias
Prêmios
Produção Científica
Sem categoria
Triagens para Projetos de Pesquisa
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Filter by Categories
Apresentações em Congressos
Artigos
Capítulos de Livros
Cursos e Eventos
Lançamentos Livros
Mídia
Notícias
Prêmios
Produção Científica
Sem categoria
Triagens para Projetos de Pesquisa

Telma Pantano, fonoaudióloga e coordenadora da Equipe Multidisciplinar do Hospital Dia Infantil do IPq, explica a dislexia, em matéria do Jornal da USP.

Dislexia não pode ser confundida com baixos níveis de inteligência

Confundida com o Transtorno de Déficit de Atenção, a dislexia é empecilho para uma educação plena; as escolas não estão preparadas para amparar esses alunos

  Publicado: 17/11/2022

Por 

De difícil compreensão e diagnóstico, a dislexia se apresenta em pelo menos 17% da população mundial. É um distúrbio de aprendizagem, especificamente de leitura e que tem consequências na escrita. Pessoas disléxicas têm dificuldade em decodificar palavras e em relacionar o fonema com o grafema, ou seja, ligar o som à letra.

“É uma dificuldade bastante específica no reconhecimento dos grafemas, que seriam as letras, e na conversão destes em sons no cérebro. A dislexia seria a falha e a dificuldade no reconhecimento de traços que são socialmente construídos para representar sons, então é uma dificuldade bastante específica que envolve leitura e escrita”, explica Telma Pantano, fonoaudióloga e coordenadora da Equipe Multidisciplinar do Hospital Dia Infantil do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

Muito confundido com o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), a dislexia é uma doença genética relacionada a um problema de ordem neurobiológica, que afeta o lado esquerdo do cérebro, o qual é responsável pela leitura e pela escrita e onde funciona a memória de curto prazo. Dessa forma, fica difícil decorar palavras e letras. Por isso, para eles, é como se estivessem em um constante processo de aprender a ler. Existem diferentes graus, então algumas pessoas têm mais facilidade em lidar e conviver com a dislexia.

Os sintomas mais comuns são a dificuldade na escrita, na leitura, confundir esquerda com direita, trocar letras por outras de forma parecida, como d e b ou t e f, mesmo que o som não seja igual. Os disléxicos também têm dificuldade em seguir ordens, compreender frases muito longas, na compreensão de textos e de conceitos abstratos e podem apresentar um vocabulário pobre, confusão entre cores e formas, erros de concordância verbal e escrita espelho, invertendo a palavra.

Dificuldade de aprender

O processo de alfabetização também acaba se tornando mais lento. O distúrbio, porém, não pode ser confundido com baixos níveis de inteligência, criatividade ou falta de vontade de aprender. Quanto mais cedo a criança for diagnosticada e tratada, melhor será para seu desenvolvimento. Muitas pessoas disléxicas acabam desmotivadas a estudar porque não há um apoio ou estímulo adequado a elas, o que é essencial.

Por se tratar de uma dificuldade primária de aprendizagem, está relacionada à reprovação escolar. Por isso, a escola tem papel fundamental na identificação de alunos disléxicos. O distúrbio não se manifesta em nenhum outro lugar de maneira tão enfática ou clara, principalmente pelos estímulos cognitivos e de leitura.

“Muitas vezes o professor desconfia e tem toda a capacidade de perceber, de observar as dificuldades, mas a avaliação e diagnóstico tem que ser feita num contexto individual e clínico”, ressalta Telma.  Não existe diferenciação na hora da matrícula para alunos com dislexia e, até o ano passado, não existia diferença de tratamento no que tange o aprendizado nas escolas. Não incluído na lei de pessoas com deficiência, os disléxicos e pessoas com TDAH agora têm amparo legal por meio da lei n°14.254, de 30 de novembro de 2021. Por meio desta, fica assegurado acompanhamento integral para os alunos com o diagnóstico desses distúrbios de aprendizagem.

“É bastante importante que eles se sintam mais acolhidos e consigam aprender todo o conteúdo dado em sala de aula. Hoje a gente tem leis que deixam isso muito claro da necessidade de suporte e de intervenção comportamental que a escola pode e deve fazer mesmo sem um diagnóstico preciso”, lembra a fonoaudióloga.

Como contornar esse problema?

A escola, para deixar mais fácil o processo de aprendizagem, pode adaptar às salas de aula algumas práticas simples de inclusão desses alunos: colocá-los à frente da sala, falar olhando para eles, dar ordens simples e estimular a consciência fonoaudióloga. É importante também que a forma de avaliação leve em conta essa dificuldade, para que as taxas de reprovação: não descontar erros ortográficos ou de pronúncia, disponibilizar mais tempo para a leitura e conclusão das atividades e propor diferentes atividades, não só as que incluam leitura e escrita.

“A gente precisa reestruturar a escola. Colocar a aprendizagem escolar, como é uma aquisição de conceitos que envolvem habilidades cognitivas socioemocionais, de uma forma mais ampla. Temos que entender que a escola precisa ainda reformular um ponto muito importante que é entender a necessidade de não colocar a leitura e a escrita como os pontos centrais dessas aquisições, tanto cognitivas como socioemocionais”, diz.

O professor, portanto, deve estar atento e comunicar os pais e responsáveis caso encontre algum dos sintomas no aluno ou veja que ele tenha alguma dificuldade. Importante dizer que apenas uma equipe multidisciplinar é capaz de dar o diagnóstico certeiro e que, mesmo tendo um papel muito importante no processo de descobrir a dislexia, o professor não deve dar o diagnóstico. Este, por sua vez, é feito por uma equipe multidisciplinar que conta com psicólogo, psicopedagogo, fonoaudiólogo e um neurologista. A confirmação do diagnóstico só aparece na ressonância funcional, que filma o cérebro em ação. O tratamento pode ser feito a partir de programas fonoaudiólogos associados à psicoeducação, aulas de reforço individual e psicoterapia.


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP com a Escola Politécnica e o Instituto de Estudos Avançados. No ar, pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 14h, 15h e às 16h45. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular.


 

Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.